Este é um tópico que, admito, já foi tocado neste pequeno expositório do universo e suas ferramentas. Mas uma análise aprofundada por vezes se faz necessária; um enfoque iluminador, diga-se de modo mais floreado. Estou falando daquela clássica tendência autodestrutiva do ser humano no que se refere ao excesso.
Claramente, quando a maior preocupação do homem era não ser devorado por alguma fera predadora maior, mais forte ou mais agressiva que si próprio - o que, dado nossas ferramentas naturais subpar de autodefesa, constituía um grupo deveras maior do que nossa espécie poderia apreciar - a caça era uma empreitada arriscada, e grandes quantidades de alimento (como uma carcaça animal abandonada por seu matador sem motivo aparente) eram uma dádiva imensurável de qualquer entidade animista que aquele pobre protohomem cultuava como sua divindade. Logo, o homem-macaco tendia a consumir o máximo possível, pois tal oportunidade dificilmente se repetiria.
Obviamente, hoje em dia temos grandes quantidades de alimento disponíveis para uma parcela significativa da raça humana, dentre as quais o seu interlocutor, este pedaço de carne miserável que se expõe para vós, se inclui. Assim, não são poucas as vezes que presencio e participo desse culto ao instinto, cometendo excessos na satisfação de minhas necessidades básicas e contemplando a tolice humana, incapaz de superar o animal primal dentro de si.
Nenhum comentário:
Postar um comentário