sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Omnia spectat pulchra Latine

     Pare por um segundo. Olhe para trás. Não literalmente. Pode voltar a olhar pro meu secreto confessionário que todos conhecem, nem que apenas no íntimo. Eu quero dizer, querido leitor, para você olhar para seu passado. Sua história. Impressionante quanta coisa nossa vida - que por vezes aparenta ser tão melíflua, supérflua e efêmera - deixou para o registro da eterna e paciente História. Apesar de sermos grãos insignificantes perante a grandeza do nosso universo, numa escala menor nossas vidas são grandes longa-metragens, repletos de aventuras, romances, decepções e triunfos, a não ser que você seja uma criança com poucos anos de vida, e neste caso você não deveria estar lendo isto, meu pequeno. Aproveite que você ainda está parado e olhando para trás e comece a contar.
     Conte quantas pessoas você encontrou. Quantas pessoas você alterou, irremediavelmente, a vida. Pense em seus amigos, caso você tivesse se mudado. Como seriam eles? Provavelmente mais felizes, mas é impossível imaginar o que não ocorreu, pois estamos condicionados a perceber a nossa realidade - entre todas as infinitas possibilidades do universo quântico - como única e imutável (uma noção que, embora falha, descreve perfeitamente a experiência da nossa consciência e exatamente por isso se perpetua de maneira estúpida porém inequívoca).
     Conte quantas coisas impressionantes você já viu. Para algumas pessoas, a primeira vez que se vê o grandioso mar da nossa rainha Iemanjá é praticamente uma experiência religiosa (no caso dos adoradores de Iemanjá, eu diria que É uma experiência religiosa. Um pensamento curioso, embora evidente). A primeira vez que você encontrou um sem-teto, implorando por auxílio e caridade para se manter marginalmente sobrevivo. Muito provavelmente, no prumo da sua juventude, você foi incapaz de compreender a dimensão e o significado desses pequenos eventos. Mas agora, meu caro leitor, você é uma pessoa mais iluminada, especialmente após estes últimos parágrafos de Ribes alpinum, pode concordar comigo: sua vida realmente é insignificante. Sinto muito. Acontece.
    Cria um blog pra reclamar, sei lá.

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