Nós, frágeis cascas de uma consciência incompleta, nos deparamos frequentemente com dilemas de natureza menor mas que revelam nossas falhas, nos expondo a nossos demônios: os conflitos eternos entre o lazer e o dever, e mais importante, entre o viver e o prazer. Sem dúvida há muitos anos atrás o único macaco que sobrevivia era o que conseguia obter grandes quantidades de gordura. Senão, como se explica o prazer absoluto que derivamos de um ovo frito na manteiga? O orgasmo é um resultado natural e evidente da evolução, pois, afinal de contas, quem é recompensado por coito o praticará mais e desse modo terá mais descendentes. Mas e nossos hábitos alimentares? Qual a vantagem evolutiva que derivamos de entupir o sistema com chocolate, causando reações químicas de prazer inimaginável? Porque deixaríamos de lado uma refeição completa e saudável por um x-bacon-tudo com bacon? Hmmm. Bacon.
Numa nota similar, será apenas um construto social do homem o hábito de vandalizar seu organismo como forma de diversão? Bebedeiras desmedidas, festas que consomem o horário de sono saudável, e inúmeros outros atos que, se não fossem extremamente divertidos, seriam simplesmente suicidas? Ou será que isso é parte da natureza associativa do ser humano, parte daquilo que nos permite formar tribos, cidades e comunidades?
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